quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Máquina de Costurar


a máquina de costura
aquela máquina de costura antiga
era usada pela minha avó
para remendar as roupas dos filhos
as mãos da minha mãe herdaram
a máquina, agulhas e linhas
e aprenderam a coser vestidos
eu era a neta que rasgava roupas
de tanto correr pelo sítio
eu era a filha que desfilava vestidos
diante de vários moços que me pretendiam
era 1970
escolhi o meu marido e tive três filhos
hoje, a mais velha
não pega em agulha nem em linha
não se casou e nem quer
mas sabe como ninguém tirar fotos
daquela máquina antiga


Cristiane Grando


la máquina de coser
aquella máquina de coser
la usaba mi abuela
para remendar la ropa de sus hijos
las manos de mi madre
heredaron la máquina, las agujas, los trazos
y aprendieron a hacer vestidos
yo era una nieta que se deshilachaba
las ropas
de tanto andar corriendo por ahí

yo era una hija que se deshilaba
los vestidos
frente a los muchachos que la pretendían
como era 1970
elegí marido y tuvimos tres hijos
hoy, mi hija mayor
no puede ni con la aguja ni con el trazo
no se casó ni quiso
pero mejor que nadie toma fotos
de aquella máquina antigua


Traducción: Dante Medina


Ti guiiba’ ni riguiba lari
Xahuelá’ guppa ti guiiba’
ni riguibaa lari
nee guiiba’ quee rusichaaguii’be xhaba ca xhiiñi’
jñaa bianane guiiba’ que
nee buuxha’, nee ni caa lu guiichi’
nee bidsiidi’ca’ guunica xaba ca xhiiñi’.
naa ngá xhiiñi’gaana’ xahuelá’ nee nade
ngá raca xabá’
ti qui riua’dxie siá’ nee guidubi dxi canahuxhooñé’
Naa ngá xhiiñi’ jñaa ni runé’de
guidubi xabá’
lu ca ba’du’ xcuidi ni riguiteniá’
yaca lu idsa tobi ga’ gadxe chii
bichaaganayá’ nee gúpaduu chonna ba’du’
yanna dxi, baadu’ dxa’pa’, lu goola xtiné’
qui ganna gucaa lu gui’chi’
qui nichaaga na’, xacalaadxi’
guaxié’ binni rutiee lu guichi’
Xtii’ dxá guiiba’ yooxho’


Traducción al dsaapoteco[1] [zapoteco]: Antonio Toledo


[1] Dsaa (zaa): movimiento, normalmente las nubes siempre están en movimiento continuo, de ahí que tomen como nube el primer término de la vocablo. La segunda parte del vocablo es pochtécatl, del háhuatl, comerciante.
De manera que el término zapoteca en su traducción literal tiende a significar vendedor ambulante, vendedor en movimiento o vendedor que no está en un sólo sitio. Que lo único que tiene que ver con las nubes es la manera en que se desplaza de un punto a otro. Erróneo es que quieran seguir manteniendo la idea que el zapoteca son hombres que descendieron de las nubes.


la macchina da cucire
quella macchina antica da cucire
la usava mia nonna
per rammandare i vestiti dei figli suoi
in eride, le mani di madre mia
hanno ricevuto quella macchina, gli aghi ed i fili
i vestiti,li hanno imparato a cucire
io ero la nipotina che stracciava gli indumenti
di tanto correre per la piccola fattoria
anch’io ero la figlia che sfilava
davanti tanti ragazzi che mi desideravano
era Il 1970
ho scelto mio marito e ne ho fatto tre figli
oggi, la più grande
non prende in mano ne ago ne filo
non si sposò ed ancora non lo vuole
però sà come nessuno scattare delle foto
di quella antica macchina da cucire


Traduzione: Vera Lúcia Grando


la machine à coudre
cette machine à coudre là
l’utilisait ma grand-mère
pour recoudre les vêtements de ses enfants
les mains de ma mère
ont hérité la machine, les aiguilles, les traits :
elles ont appris à faire des robes
j’étais une petite fille qui se déchirait
les habits
à force de courir partout
j’étais une fille qui défilait
avec ses robes
devant les garçons qui la prétendaient
il était 1970
et j’ai choisi un mari et j’ai eu trois fils
aujourd’hui, ma fille aînée
est nulle avec l’aiguille et nulle avec le trait
elle ne s’est pas mariée et elle n’en veut point
mais mieux que personne elle prend des photos
de cette antique machine là


Traduction : Dante Medina

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Apresentação no Fórum da Mackenzie


IMPACTOS NA FORMAÇÃO DE ALUNOS NA ESCOLA

 A escola seria um lugar magnífico se tivéssemos somente alunos interessados, compenetrados, pesquisadores natos, calmos, admiradores do conhecimento, alunos comprometidos com a cidadania, com o futuro da humanidade, o que seria o ideal de perfeição para a sociedade. Todavia, vivemos em um universo em que os valores das últimas décadas formam um bolo de comportamentos rolando como bola de neve em ritmo desenfreado e sem rumo, em forma de espectros. Não sabemos o final da linha de chegada, sabemos que devemos caminhar, ensinar, acreditar .

Nesse intuito de ensinar, podemos gerar conflitos entre  alunos e professores, uma vez que o valor agregado à ética, muda no espaço e no tempo, bem como os valores de amizade, namoro, casamento, família e religião. A realidade do aluno pode  ser diversificada da realidade do professor a ponto de não se encontrar um ponto em comum para formar um amálgama, um liame para se dar o início da aprendizagem, ou de uma relação propícia para a formação. Os conceitos sociais, na atualidade, no bolo de comportamentos, muitas vezes ofuscam os valores das instituições de ensino, pois estas passam, cultivam seus valores e tentam perpetuá-los sempre. Entretanto, as tecnologias, o modo de viver fora de tais instituições projetam suas forças de modo a trazer o caos para elas: descrédito nas instituições de forma generalizada,alguns alunos chegam à escola alcoolizados,  drogados, agressivos, alguns são traficantes, desinteressados.... Essa força é tão forte que geralmente interfere na aprendizagem dos alunos interessados, chegando a desestimulá-los ou  desistir de ser um aluno comprometido com a aprendizagem.

Em vista desse panorama, podemos dizer que o impacto se torna, às vezes, a opção, a técnica para o despertar um aluno para um determinado assunto, pois as transformações  dos seres humanos são causadas por tomadas de consciência, as quais nem sempre vem de uma aprendizagem calma, tranquila, pela admiração ou gosto, mas sim de impactos, sustos, espantos, incômodos.

Durante o ano de 2013, o grupo do PIBID do Mackenzie da área de Letras contribuiu para esse despertar na Escola Estadual Caetano de Campos, e eu como supervisora, pude observar alguns efeitos, principalmente em relação ao grupo que trabalhou em classe comigo a produção textual .Foi proposto aos alunos de sétimos anos, sextas  séries,  a confecção de uma notícia escrita a respeito da morte de Olívia, personagem do livro “Olhai os lírios do Campo”, de Érico Veríssimo. Nem todos os alunos fizeram-na, mas aqueles que aceitaram a proposta leram-na a seguir para a classe. Vale lembrar que o desfecho de morte de Olívia teve um final e contexto diferente nos trabalhos apresentados, pois até naquele momento, sabia-se que ela havia morrido, mas não era de conhecimento dos leitores a causa da morte, somente que ela não sobreviveu  à uma cirurgia.

           

A escola passou por duas fases de avaliação  governamental e aproveitamos para verificar a capacidade leitora dos alunos.

           

      Em relação ao item notícia trabalhado por e pelo grupo do PIBID,observamos que os alunos dos sétimos anos aprenderam a identificar o gênero notícia, sabem encontrar o título, o lide, o tema, os fatos e,  o local de acontecimentos com grande êxito. Eles têm a habilidade e capacidade leitora do gênero notícia, todavia no momento da réplica, foram poucos aqueles que  conseguiram empregar as características, os elementos organizacionais da notícia. A maioria dos alunos  utilizaram o tema corretamente, entretanto alguns se esqueceram do título, apenas um fez o lide, poucos deles começaram com o verbo no presente e deixaram os fatos na atualidade, porque conhecem mais a estrutura do conto que da notícia.

      Além disso, na relação com o texto escrito, assumiram o papel da reescrita do texto “A velha contrabandista”, de Sergio Porto , Stanislaw Ponte Preta. Alguns elaboraram resumos, outros reescreveram a mesma história, introduzindo diálogos, outros deixaram o texto longo, ou mudaram o desfecho, o que seria uma estilização do autor. Neste caso, o  aluno procurou estilizar o autor, elaborar o seu texto, mas não atingiu a capacidade leitora do fazer notícia. Foram poucos os alunos que  mostraram uma ampla noção da norma culta, uma vez que copiaram palavras do texto original e reproduziram de maneira ortográfica diferente , por exemplo, a palavra velha foi escrita vela , velinha, velia. Nota-se que eles não se apropriaram do som /lh/ som que apareceu em línguas neolatinas com o processo de evolução das línguas,mas inexistente nas falas caipiras, preservadas da língua, antes de sua modernização . Ainda há muitas discordâncias gramaticais verbais e nominais. A coesão e a coerência foram prejudicadas no que tange à clareza dos textos e liames, ligações das palavras e pensamentos na produção textual. Os parágrafos não foram bem distribuídos, nem bem coesos.

      Em suma, os alunos, produtores de seus textos, manifestaram no nível discursivo a práxis individual e social. À medida que se escolarizam mais se apropriam mais de um discurso mais próximo ao do nível padrão. Suas falas e escritas transitam nos diversos níveis de aprendizado escolar.







quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Mostra Cultural 2013- Caetano de Campos




 


 



 



 




 




 







 




 









 






 


 





 



 


 



 











 








 



 


























Olhai os lírios do campo- Érico Veríssimo


 

Profª Drª Vera Lúcia Grando

 
Os falares educacionais percorrem eixos diacrônicos e sincrônicos da fala, pensamentos de esquerda, de direita, teorias iluministas, marxistas, behavioristas, piagetianas, freudianas, de Darwin, de Vygotsky, de Skinner, de Chomsky, Roxane Rojo, Joaquim Dolz, Bahktin dentre  muitos outros. Despertam adversidades, estabelecem amálgamas, tentativas de  rupturas com um passado educacional, mas ao mesmo tempo há retomadas de teorias e comportamentos.

Mediante um espectro de metodologias, ainda profissionais da Educação caminham por labirintos em relação à questão de ensino-aprendizagem. Nela, tudo é medido, mensurado, mas os resultados sempre colocados na mídia, em especial, no Brasil,  mostram-se aquém do esperado pelo sistema mundial, pois índices apontam qualidade baixa de ensino.

 Os professores, educadores, pesquisadores, visando a um novo cenário educacional no Brasil, buscam  novas tecnologias e alternativas , tentam novas maneiras e olhares para a práxis educacional. Para isso, além de cursarem programas de pós-graduação, pesquisarem, frequentarem cursos de formação, podem receber bolsas concedidas por Órgãos Governamentais, bem como de Fundações e Institutos Privados.

 A Universidade Presbiteriana Mackenzie faz parte do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência- PIBID, oferecido pela CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e fez parceria com a EE Caetano de Campos- Aclimação, localizada em São Paulo, para estabelecer um local para seus alunos bolsistas do PIBID, do Curso de Letras da Mackenzie, desenvolverem atividades educacionais com o intuito de colaborar com o ensino-aprendizagem na Caetano de Campos, na área de Língua Portuguesa.

A Escola Caetano de Campos é a antiga  Escola Normal Caetano de Campos fundada inicialmente em 16 de março de 1846  e funcionava no prédio anexo à Catedral da Sé velha . Foi transferida para a Praça da República para o edifício projetado por Antônio Francisco de Paula Sousa e Ramos de Azevedo inaugurado em 1894 onde atualmente está instalada a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. A escola ao sair desse edifício, em 1978 foi transferida para o bairro da Aclimação, em uma edificação moderna, situada no antigo terreno e prédio da Faculdade de Veterinária da Universidade de São Paulo.

Atualmente, a escola em sua proposta pedagógica  fundamenta-se na lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional- LDB 9.394/96, na Constituição Brasileira, no Estatuto da Criança e do Adolescente, no disposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais- PCN e no Currículo da Secretaria de Estado de Educação . Seu quadro de estudantes se alterou, pois não são mais  normalistas a estudar e levar o conhecimento para o restante do Brasil, mas um lugar ocupado e vivenciado por alunos, cerca de 1800, da capital e provenientes de várias regiões do Brasil, em particular,  do nordeste. Trazem cada um em seu bojo, as marcas da linguagem que os distinguem, quer pela renda da classe média àquela ao limite da miséria, quer pela fala em que se notam as diversidades de experiências sociais, do conhecimento e língua falada e escrita.

 

Leitura de Livro na Escola

 

Pensando na diversidade cultural, a professora Vera Lúcia Grando  sentiu a necessidade de desenvolver um trabalho, o qual englobasse leitura e escrita com o objetivo de ampliar a competência da capacidade de leitura de mundo de seus alunos e oferecer-lhes algumas técnicas e aperfeiçoamento de habilidades  para que se tornem leitores e protagonistas e que possam exercer sua cidadania . Pesquisou na Sala de Leitura da escola a oferta de títulos. Dentre eles havia um livro apenas que possuía exemplares o suficiente para duas classes “Olhai Os Lírios do Campo”, de Érico Veríssimo. Este livro também foi recomendado pela coordenadora da época Lielza  Letechebere, uma vez que nele há  o gênero textual “memória” e o livro relata as memórias do personagem  Eugênio, quando se encontrava na fase adulta.. Esse gênero é apresentado no caderno do aluno do 7º ano, 6 série, V.1, fato que favoreceu a escolha do livro.

Os exemplares  foram distribuídos para  duas classes em que a Professora Vera leciona, 6ª A  do curso matutino e 6ª C do curso vespertino. A sexta série C contou com a colaboração de alguns alunos do Curso de Letras,  da Universidade Mackenzie, uma vez na semana, em uma aula: Camila Nogueira, Camila Concato, Palloma Dos Santos , Rodrigo Sillhos.

Logo nos primeiros dias de aula do primeiro bimestre, foram distribuídos os exemplares para os alunos. Os alunos ficaram contentes com a iniciativa de leitura de livro em classe.

A professora Vera, seguindo a visão de Roxane Rojo entre outros, no que concerne à capacidade de leitura e às técnicas de abordagens ,   começou fazendo a ativação de conhecimento de mundo por meio da análise dos elementos paratextuais da capa,contracapa,folha de rosto, uma checagem de conhecimentos prévios acerca do título e dos desenhos contidos nele, perguntando-lhes  que pistas a capa/suporte dava para o conhecimento   do gênero que seria estudado. Muitos alunos responderam às perguntas dizendo que talvez se tratasse de uma história que retratava  personagens do campo, mais precisamente de uma história de amor.

Fizemos a leitura compartilhada dos prefácios, um de Flávio Loureiro Chaves, Doutor em Letras, e outro do próprio autor Érico Veríssimo, escrito em 1966 e investigamos se eles já conheciam o autor e se haviam lido algum título apresentado nos prefácios, ao que responderam que o sobrenome não era estranho e que não tinham lido sequer um título ali  mencionados .

Começamos a leitura compartilhada do livro por fruição. Cada um lia um parágrafo. Inicialmente, os alunos reclamaram do vocabulário e da dificuldade de ler as palavras, mas entenderam  que se tratava de um livro de memórias. Depois de três semanas, passamos a deixar a leitura a critério do aluno, o qual  lia o quanto quisesse. Alguns alunos queriam ler duas, três páginas e outros apenas um parágrafo. A seguir, passamos a ler uma página para cada aluno, determinando a leitura pelo número de chamada de modo que aquele que quisesse treinar a leitura em casa poderia se preparar mais para ler em classe. Por fim, cada um lia  uma página sem ter que determinar antecipadamente. Notou-se uma melhora sensível e gradativa. Não terminamos de ler o livro em classe. A sexta-série A está um pouco mais adiantada, pois de um total de 285 páginas foram lidas 221 páginas enquanto na sexta-série C   foram lidas 146 páginas ao longo do primeiro semestre.

            A professora titular Vera Lucia, trabalhou  filmes para que os alunos pudessem compará-los com o livro aproveitando para fazer as capacidades de leitura em relação à localização de informações, elementos da narrativa, às comparações de informações, vivências semelhantes ou diferentes por parte dos alunos, às generalizações, impressões e síntese do texto, às inferências locais, análise semântica e levantamento de dados, estudo da língua, às percepções de relações de intertextualidade e interdiscursividade, partes ou palavras do texto e, produção de textos e intertextualidade.

Narradores de Javé, dirigido por Eliane Caffé  apresenta relatos, memórias. Os alunos perceberam essa intersecção com o livro que traz memórias da personagem Eugênio, além de de ser um tópico do caderno de aluno, 7º ano, v.1 a ser estudado. Vejamos abaixo um exercício de compreensão trabalhado em classe e postado no blog da escola www.aposaaula.blogspot.com .

 

Exercícios elaborados pela Profª Vera Lúcia Grando

1- O livro de ´´Erico Veríssimo é uma narração:
(  ) de fadas.
(  ) de contos maravilhosos.
(  ) de ficção cinetífica.
(x) de memória.

2- Justifique a sua resposta:
R-O narrador narra a história e ao mesmo tempo deixa  a memória e os  pensamentos  do personagem Eugênio fluírem .

3- Cite o que você sabe sobre Eugênio até a presente leitura.

a) Criança: Provém de uma família pobre e tinha muita vergonha de suas vestimentas e famíllia. Sempre teve complexo de inferioridade, entretanto era muito inteligente e estudioso.

b) Adulto: Eugênio é de origem pobre, porém se casou com uma moça rica, Eunice. Estudou Medicina. Amava Olívia desde o tempo da faculdade. Teve uma filha com Olívia, dado que ficou sabendo após o seu casamento por interesse. Está a caminho do Hospital, pois foi chamado urgentemente,pois Olívia estava prestes a  morrer.

4-Em qual pessoa está a voz do narrador?

R- Em 3ª pessoa .

5- O narrador é:
a-(x) onisciente - tudo sabe e comenta.
b-( ) personagem - conta e participa.
c-( )observador- só narra.

Narradores de Javé X Olhai os lírios do campo

material preparado pela profª Vera Lúcia Grando


1-  Leia a página 7 da postila v.1 ,7º ano, o item " Para saber mais".A seguir, comente se gostou do filme Narradores de Javé, dirigido por Eliane Caffé.Justifique sua opção.

R. Resposta Pessoal

2- O narrador do filme é:

(x) Personagem, pois conta e participa da história.
( )Observador, porque apenas conta a história.
( )Onisciente, porque conta e julga as personagens.

3-Aponte sobre os narradores do filme e do livro "Olhai os lírios do campo":

a- Semelhanças: Os dois contam fatos ocorridos dentro de um determinado contexto , espaço, tempo.
b- Diferenças: No livro, o narrador está em 3ª pessoa, é onisciente, pois sabe tudo a respeito de seus personagens. Podem-se confundir os relatos de 1ª pessoa da personagem Eugênio com o narrador, uma vez que é dada a voz para a personagem falar.
No filme, o narrador fez parte do enredo do filme.

4- Citem expressões que ouviram ou leram:

a- No filme: resposta pessoal ( Não sou pokemon de Jesus)
b- no livro: resposta pessoal ( carça furada no fiofó)

5-Se você estivesse no lugar daquele povo de Javé, o que faria?

Resposta Pessoal.

6- Como era o local, ambiente de Javé?
a- Pessoas:simples, mal cuidadas, religiosos, apegados ao local,
b- Roupas: feitas por costureiras locais, simples, até rotas.
c-Classe social: baixa.
d- Linguagem:Falar baiano, coloquial, com baixo calão empregado de quando em quando,a maioria das pessoas era analfabeta.
e- Ruas: falta de infraestrutura, sem asfalto, esgoto.
f- Clima : quente, tropical.
g- Hidrografia: Margeava  um grande rio que serviu de estação de barragem para a Usina Elétrica. Afundou Javé.

 

O segundo filme apresentado foi O Menino do Pijama Listrado, dirigido por Mark Herman deu aos alunos a noção do que foi o nazismo e quem era o Kaiser temido pela personagem Eugênio. Veja abaixo:


Após  de assistir ao filme "O Menino do Pijama Listrado", comente como a 2ª Guerra Mundial influenciou, transformou, modificou a vida de cada menino abaixo:

1- No filme O Menino do Pijama Listrado:

a-  Bruno:


b- Schmuel:

2- No livro Olhai os lírios do campo:

Eugênio:


3-De qual garoto você mais gostou? Por quê?

4- Escolha um dos garotos e aponte o que poderia ser feito para solucionar os problemas da vida dele.

Proposta elaborada pela Profª  Vera Lúcia Grando

 

O terceiro passado aos alunos foram, A Vida é Bela , de Roberto Benigni,complementou o filme anterior de Mark Herman, O Menino de Pijama Listrado e acrescentou a noção de fascismo.


I-Compare os dois filmes que você assistiu " O Menino do Pijama listrado e A Vida é Bella.

a- De qual filme você mais gostou? Por quê?
b- Os temas tratados nos filmes apresentam diferenças?Quais?
c-Os temas tratados nos filmes apresentam semelhanças ?Quais?
d- Qual era a raça que Hitler ( Kaiser na Alemanha) e Mussolini (Dulce- na Itália) queriam exterminar da face da Terra?
e- E qual era a raça que eles defendiam como pura?

II- No livro "Olhai os lírios do Campo", quem defende o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini? (P. 157 a 166/ 188 a 202)

 

III- Você concorda com esses ideais? Por quê?

IV- O que os meninos Schmuel e Giosué tinham em comum?

V- O que os meninos Schumuel , Giosué e Bruno tinham em relação à Guerra.

MATERIAL ELABORADO PELA  PROFª VERA LÚCIA GRANDO

 

O quarto vídeo apresentado aos alunos foi o  Documentário 1932, sobre MMDC e a Revolução Constitucionalista, material produzido pela SE, que permitiu uma introdução sobre Getúlio Vargas. Não tivemos tempo elaborar exercícios sobre o documentário, pois já nos encontrávamos na última semana de junho e as férias interromperam o nosso trabalho.

Além dos filmes, a professora  Vera fez pesquisas e   um paralelo sobre nazismo, fascismo, stalinismo, racismo para que os alunos entendessem esses pontos abordados no livro pelas personagens  e tivessem mais clareza sobre o contexto de produção do livro.

Também foi feito um levantamento de cinquenta palavras desconhecidas pelo grupo de alunos , uma média de seis grupos por classe, encontradas no livro. Os alunos gostaram muito dessa atividade. Outra atividade desenvolvida em classe foi a elaboração de trinta perguntas com respostas, um  trabalho em dupla. Notamos  nessa atividade que apenas quatro alunos não souberam fazer perguntas coerentes e responder de modo coerente.

Na volta, em agosto, na primeira semana, fizemos um jogo em classe. Dividimos as classes em grupos e cada grupo diria se o fato apresentado, referente à personagem Eugênio, pertencia à sua infância, à sua adolescência, ao período da faculdade ou á fase de adulta-médico. Nesse jogo os alunos puderam testar a memória individual e em grupo. De vinte perguntas apenas um grupo atingiu dez acertos (6ª A) os demais oito ( 6 A), seis (6C), cinco (6 A e 6C), quatro (6 A e 6 C), três ( 6 C).  Ressalva-se  ainda que não terminamos a leitura do livro.

            Professores  bolsistas do PIBID  desenvolveram  várias atividades em classe, 6C, as quais  contribuíram não só com o desenvolvimento de itens do caderno do aluno como também com a interpretação do livro : “Olhai os lírios do Campo”, de Érico Veríssimo . Iniciaram em classe com a releitura do primeiro capítulo do livro. Na semana seguinte fizeram uma revisão sobre o que é notícia , sua estrutura, abrangendo os seus vários segmentos e canais de comunicação e passaram alguns exercícios que foram corrigidos e entregues na semana seguinte.

            Em outro momento, propuseram a confecção de uma notícia escrita a respeito da morte de Olívia, personagem do livro. Nem todos os alunos fizeram, mas aqueles que aceitaram a proposta leram a seguir para a classe. Vale lembrar que o desfecho de morte de Olívia teve um final e contexto diferente nos trabalhos apresentados, pois até naquele momento, sabia-se que ela havia morrido, mas não era de conhecimento dos leitores a causa da morte, somente que ela não sobreviveu  à uma cirurgia. Esta tarefa também foi feita na 6ª A com a orientação da Professora Vera.

            Os alunos recortaram cartazes e pintaram seus microfones para o trabalho seguinte. Elaboraram uma entrevista para fazê-la ao vivo, seus entrevistados foram amigos, médicos, pais. Durante a apresentação alguns trabalhos foram filmados com as  devidas autorizações documentadas dos pais de alunos. A filmagem  ainda não foi apresentada à escola pelos bolsistas. Lembra-se que este conteúdo também faz parte do caderno do aluno , 7º ano. Vale dizer, que a 6{ série A também trabalhou a entrevista, porém não foram feitas as filmagens.

Depois das atividades mencionadas, trabalharam os gêneros música e poesia para Margaret, personagem do livro. Os alunos fizeram , leram , cantaram . por fim houve uma confecção de cartazes com fotos dos alunos trabalhando em classe , e um cartaz  representou o  bullying que Genoca sofreu na escola.

Foi também elaborada uma entrevista pela professora, na qual o aluno deveria entrevistar os pais ou alguém responsável por ele a respeito do aborto, pois no livro há a personagem Dora que fez aborto e morreu. Alguns  devolveram por escrito as entrevistas que fizeram oralmente .

           A professora também atentou-se para o fato do conhecimento dos alunos, quando trabalhou o texto de Mateus.6 .Notou que os alunos não conheciam a planta “lírio”. Foi quando buscou mudas no viveiro do Ibirapuera e as plantou na horta da escola junto aos alunos. Naquele momento, a professora solicitou que alguns alunos falassem aos demais os seus desejos para as plantas ali plantadas. Poderia ser uma poesia ou um oração também como um pensamento. Alguns se manifestaram, dizendo coisas boas, por exemplo: cresça e fique bonita! Que Deus de forças para crescer!

E nesta semana a professora estabeleceu um debate em classe, no qual o aluno deveria fazer uma escolha entre acusar ou defender a personagem Eugênio. Os alunos escreveram seus argumentos e diante dos colegas de classe tomaram a sua posição. Foram trinta e oito argumentos desfavoráveis à personagem Eugênio e seis favoráveis.

Na última fase do desenvolvimento da leitura, solicitamos a busca de palavras, em que houvesse dígrafos e encontros consonantais, verbos no presente, pretérito perfeito e imperfeito do indicativo.

 Assim terminamos a leitura do livro com a pesquisa de dados e retomada de conteúdos dados no início do ano e anos anteriores e confeccionamos cartazes sobre os itens pesquisados pelos alunos, tais como personagens que compunham a família de Eugênio Fontes ( Ângelo Fontes-pai, Alzira Fontes- mãe, Ernesto Fontes –irmão, Anamaria-filha,Olívia Mirante-amante, Eunice Cintra- esposa, Cintra-sogro);personagens do Columbia College e conhecidos de Eugênio:  Professor Mr. Tearle, Mário, Alcebíades, Acélio Castanho, Tulio Altamira, Isabel, Dora, D. Frida Falk, Hans Falk, Filipe, MC.Hyde, Coronel Tinoco, Simão Kantermann, D. Amélia, Aurora Mendonça, Sr. Dubov, Madame Dubov,Dr. Florismal; personagens médicos do livro: Eugênio, Seixas, Teixeira Tienes, Olívia Miranda,  Candia , Dubov e Jekyll-personagem do livro “O Médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson ;personalidades mencionadas no livro: Cristo, Hitler, Mussolini, Stálin, Diego Riviera ( pintor), Wagner (músico) .Outros cartazes apontavam as características das personagens, por exemplo, Eugênio : o sentimento de inferioridade percorreu durante toda a sua vida, quando criança tinha medo do Kaiser,, foi satirizado pelos colegas, escondeu-se de seu pai no jardim para que ninguém descobrisse que ele era pobre, pois tinha vergonha de seu pai Ângelo e de sua pobreza, na adolescência ficou desapontado e envergonhado, quando um senhor inglês pediu-lhe que cuidasse de seu cachorro, já na faculdade, ignorou seu pai na rua quando estava em companhia de seu amigo rico –Alcebíades, sonhava com Olívia, mas queria ficar rico. Formado, casou-se com Eunice, mas teve amantes e uma filha com Olívia. Das suas paixões o dinheiro esteve sempre em primeiro lugar e Margareth, Eunice, Isabel foram paixões levianas, todavia seu verdadeiro amor foi Olívia, que era humana, médica que defendia a medicina socializada. Teve uma filha com Olívia, Anamaria, sonhadora, feliz, animada.

Os locais do livro também serviram  para a realização de cartazes: Rio grande do Sul, Porto Alegre, Megatério, Country Club, fazenda, Edelweis-bar, Edifício Hora, fábrica, Columbia College, Nova Itália, Vila de São Martinho, parque, Hospital, casas de personagens,  citação de Marrocos, França , Rússia, Alemanha e Itália.

Os temas apresentados nos cartazes foram os seguintes: A Medicina deve ser socializada?  Quarenta e sete alunos responderam que sim e dois que não. O que os senhores pensam a respeito de construção de megatérios? O que você acha sobre o bullying?  O que você pensa sobre o aborto? O dinheiro é mais importante que um grande amor? Você concorda com Matheus 6? O que pensa sobre a personagem Eugênio em “Olhai os lírios do campo”?  Em quase todas as respostas comentam-se  a pobreza e o sofrimento de Eugênio e que o autor soube fazê-lo, em apenas uma resposta diz-se  que ele foi fraco. Os alunos gostaram da personagem de Eugênio.É importante notar que na escrita, os alunos defenderam Eugênio, porém no debate, acusaram-no. Isso demonstra que os sentimentos deles pela personagens não ficaram bem definidos.

Em outubro foram apresentados os trabalhos na Mostra Cultural da Caetano de Campos.

Referências

 

MEC. Lei de Diretrizes e Bases- LDB, 1996.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Língua Portuguesa. Brasília:MEC/SEF,          1998.

ROJO, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. São Paulo: SEE: CENP,2004. Texto apresentado em Congresso realizado em maio de 2004.

SE. Curso de Formação do Estado de São Paulo, 2010.

 SE.Currículo do Estado de São Paulo- Linguagens, Codigos e suas  Tecnologias,2010

SCHNEUWLY, B; DOLZ, J. "Os gêneros escolares – das práticas de linguagem aos objetos de ensino". In: Gêneros orais e escritos na escola. São Paulo: Mercado de Letras, 2011, p. 71) 

 

VERÍSSIMO, Érico.Olhai os Lírios do Campo. Companhia das Letras.8ª impressão,205.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Foto: Aline Pires, Biblioteca Livre, Teatro Municipal de Cerquiilho, 2013.

Cerquilho recebe doações de livros, CDs e DVDs
para os espaços de cultura

No início de 2013, a deputada Rita Passos, através do vereador Xano Grando, enviou ao Teatro Municipal de Cerquilho uma doação de quase 300 livros, CDs e DVDs de várias instituições culturais, museus e da Secretaria de Estado de Cultura.
As bibliotecárias responsáveis pela Biblioteca Municipal “Guilherme de Almeida” e pela Sala de Leitura “Elizabeth Goldfarb”, que funciona na Estação Cultura, escolheram livros de literatura, biografias, entre diversos temas. Machado de Assis, Haroldo de Campos, Bartolomeu Campos de Queirós e Edgar Allan Poe são autores contemplados nesta doação valiosa.
Parte da doação foi destinada à Biblioteca Livre, que funciona na recepção do Teatro Municipal de Cerquilho de 3ª a 6ª-feira das 13 às 15 horas e nos horários de espetáculos. A Biblioteca Livre foi criada em abril de 2013 a partir de doações de Cristiane Grando (idealizadora), Vera Lúcia Grando, Sindicato Rural de Cerquilho, Paula Silva, Francisca Ivonete Nascimento da Silva, Marli Rezende da Silva, Ana M. P. Pakes, Fabiana Grando, Armando Ferrari, Rosa Flora, Deputada Rita Passos (através do vereador Xano Grando), Ibis Libris Editora, Dubolsinho Editora, Antonio Miranda, Uberto Stabile, Espaço IDEA, Maria Genil Zanete Pérez, Gustavo Copetti, entre outros, a quem agradecemos. A população está convidada a frequentar a Biblioteca Livre, levar livros para leitura em casa e, se desejar, doar livros novos ou usados.
14 CDs foram entregues ao Projeto Guri, localizado na Estação Cultura (ao lado do Clube da Terceira Idade), onde os estudantes poderão apreciar esse rico material sonoro a fim de aperfeiçoar os seus estudos de música.
Em nossa política de valorização do livro e da leitura, está programada para este ano a criação de mais uma biblioteca, neste caso em parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que desenvolveu um projeto de consciência ecológica vinculado à leitura. A biblioteca funcionará na recepção do Espaço Municipal de Cultura, na Rua São José, 565, onde a Coordenadoria de Cultura organiza atualmente cursos e oficinas gratuitos de dança, escultura, grafite, teatro e vídeo.

sábado, 13 de julho de 2013

PARADIGMA DA INCLUSÃO SOCIAL

O PARADIGMA DA INCLUSÃO ESCOLAR

*Emiliana Maria Grando Gaiotto

RESUMO
O simples fato de um município ou uma escola participar do processo de inclusão escolar, não significa que esteja conseguindo implementar as Leis de Diretrizes Básicas Educacionais. Devemos considerar que qualquer  ideologia para mudança social depende de um bom projeto pedagógico e todos devem estar focados neste objetivo comum  de concretizar a mudança (diretor, professor, escola e comunidade). Neste trabalho analisamos como as Escolas Municipais de Ensino Infantil de uma cidade do interior de São Paulo procuram se adequar para concretizar a Lei da inclusão escolar e quais as principais dificuldades encontradas. Para a pesquisa, utilizou-se como instrumento, um roteiro com questões sobre a inclusão escolar e relativas ao diagnóstico da saúde dessa criança com a finalidade de analisar o preparo da equipe escolar para o recebimento desse aluno. A inclusão escolar por ser muito nova e complexa, acrescida da falta de preparo da equipe escolar e de um bom  planejamento, mostra que mesmo em um município pequeno, com renda per capita boa, ainda o planejamento escolar no que concerne a inclusão,  precisa ser desenvolvido e aprimorado. Além disso,  diretores, coordenadores pedagógicos, professores e comunidades devem trabalhar juntos para conseguir realizar o propósito de oferecer oportunidades iguais para que cada pessoa seja autônoma e autosuficiente, caminhando assim para  uma sociedade mais inclusiva, uma vez que a pesquisa realizada nos aponta que ainda não existe um preparo necessário e atitudes coerentes dos profissionais e das instituições públicas no processo de  Inclusão Escolar.
Palavras -chave: inclusão escolar, projeto pedagógico e preparo da equipe escolar.

I-                   INCLUSÃO E LEI DE DIRETRIZES E BASES.
Uma avaliação histórica da sociedade  leva-nos  a refletir que o preconceito é a forma que a sociedade utiliza para segregar as minorias,as quais ao longo do tempo têm de se estruturar com lutas e mobilizações para que novas leis sejam implementadas e que o direito de ir e vir seja prevalecido a favor delas. Dentre essas minorias temos o aluno com necessidade especial,o qual foi inserido no ensino regular com o objetivo de que a sociedade tenha um novo olhar para ele,pois era excluído do convívio social.
Na Espanha, a Declaração de Salamanca reafirmou a Declaração de Direitos Humanos nas Nações Unidas, na Conferência Mundial de Educação Especial realizada pela ONU em 1994. Ali assinaram as normas sobre o direito das crianças com deficiência terem acesso à escola regular.
Atualmente, a inclusão escolar no ensino regular no Brasil não é um mais um tema só de debates, tornou-se lei, após a Declaração de Salamanca, implantou-se em 1996  a Lei 9394 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional como modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para educandos portadores de necessidades especiais, segundo Revista Inclusão de julho de 2006.
Como podemos notar esse novo procedimento diante dos portadores de necessidades especiais é ainda muito recente em termos de Educação Nacional. Vale lembrar que a classificação das ciências não é simples, o que exige mais atenção no momento da classificação de um aluno, pois a palavra deficiente refere-se ao problema concreto de ordem fisiológica do indivíduo ( falta de um membro, alteração, lesões, cegueira, surdez, paralisia... o que condiciona as habilitações de um indivíduo, sensório-motoras, cegueira. Também essa palavra pode se referir àqueles  que têm restrições múltiplas. Para um professor leigo é difícil reconhecer e saber o nível de deficiência de um aluno assim que começam as aulas,uma vez que as escolas ainda estão no processo de adaptação para esse novo paradigma de ensino. É um projeto ousado que implica em mudanças culturais, comportamentais e de reestruturação de toda uma metodologia de ensino.Deste modo há a necessidade de haver uma ficha técnica passada aos professores pelos especialistas, que nem sempre a escola tem, pois o aluno se desloca para outras  escolas em há para fazer atividades em parceria.
  Cuero ( Como promover a inclusão escolar enfrentando as mudanças propostas pelo paradigma da inclusão,2011) diz que aquilo que faz uma Escola ser inclusiva é um bom projeto pedagógico e que a inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. Segundo ela, envolve, também, um processo de reforma e de reestruturação das escolas como um todo, com o objetivo de assegurar que todos os alunos possam ter acesso às oportunidades educacionais e sociais oferecidas pela Instituição de Ensino. Acrescenta que isso inclui o currículo corrente, a avaliação, os registros dos alunos e que o simples fato de colocar alunos lado a lado, deficientes ou não, não garante, por si só, a manifestação de interações e formas de ajuda positivas, podendo mesmo ocorrer atitudes negativas. Por sua vez, afirma que é, sem dúvida, enorme a capacidade dos alunos de se ajudarem mutuamente. Mas para que esta capacidade se manifeste em toda a sua plenitude é necessário que os professores liderem o processo, encorajem e cooperem com os alunos.
Complementamos dizendo que se por um lado houve um grande avanço em relação aos espaços físicos escolares, já que em algumas escolas há elevadores, em outras rebaixamento dos degraus , rampa, corrimão e acesso de material didático (livros-audio,apostilas em Braille, brinquedo pedagógico, máquina em Braille, computador com várias tecnologias, por outro ainda os professores na redes públicas e particulares ainda não têm as práticas pedagógicas muito bem definidas, muitas vezes por falta de recurso, outras por não saber lidar com a situação no contexto, na tentativa de entender e reconhecer, conviver, compartilhar, acolher pessoas superdotadas,com deficiência física ou mental, estigmatizada, enfim diferentes grupos.
Citamos também, Caldeira (Os Efeitos da Inclusão do desenvolvimento do  Aluno Portador de Disfunção Neuromotora Grave ,2004), Apud Schaffner & Buswell (1999) que apontam para a necessidade de desenvolvimento de uma equipe de apoio na escola, tanto para os professores como para os alunos com o objetivo de avaliar o processo de criação de uma escola inclusiva. Comenta que essa equipe poderia ser constituída por professores de classe, pais, terapeutas e supervisores e que o objetivo dessa equipe seria o de se reunir para debater, resolver, trocar idéias, técnicas, métodos e atividades que auxiliassem os professores e os alunos a serem bem-sucedidos em seus papéis, pois acredita que incluir um aluno portador de necessidades educacionais especiais na escola comum significa concretizar os direitos dessa pessoa de conviver em um ambiente natural onde a diversidade é possível.


II-                DOS OBJETIVOS DA PESQUISA

Tomando como embasamento teórico os autores acima, fizemos uma pesquisa com o intuito de analisarmos as principais dificuldades que a equipe escolar apresenta para trabalhar com alunos de necessidades especiais nas Escolas Municipais de Ensino Infantil do Município de Cerquilho.
O interesse sobre o tema não teve apenas um caráter pessoal, como também o da intenção de desenvolver um projeto em que envolva a os cidadãos de Cerquilho, a comunidade escolar, por intermédio, a priori,  de uma ONG para melhoria da qualidade de ensino e interação dos alunos deficientes.  O objetivo final foi de avaliar se as escolas de Cerquilho de Educação Infantil apresentavam  algum diferencial ou preparo no aspecto da inclusão escolar já que o ensino da cidade de Cerquilho sempre recebeu boa avaliação estadual.
Ao iniciarmos o estudo acreditávamos que as principais dificuldades para a realização da inclusão escolar eram a falta de preparo da equipe escolar e a má adequação do planejamento escolar  para o recebimento do aluno com necessidades especiais, pois a  inclusão escolar é um item recente no curriculum escolar em nível nacional e é complexa, uma vez que se deve levar em conta a individualidade do aluno.
Para a investigação dos dados, utilizamos como instrumento um roteiro com questões sobre a inclusão escolar e outras relativas ao diagnóstico da saúde de uma criança portadora de necessidades especiais com a finalidade de analisar o preparo da equipe escolar para o recebimento dela no Ensino Infantil de Cerquilho.
III.  DAS DIFICULDADES DA INCLUSÃO.
No resgate histórico da inclusão constatamos que o preconceito para com os deficientes é tão antigo como a própria existência humana. Existem registros históricos que revelam de como os deficientes eram tratados. Vejamos um exemplo de Sêneca:
”Nós matamos os cães danados, os touros ferozes e indomáveis, degolamos as ovelhas doentes com medo que infectem o rebanho, asfixiamos os recém-nascidos mal constituídos; mesmo as crianças, se forem débeis ou anormais, nós a afogamos: não se trata de ódio, mas da razão que nos convida a separar das partes sãs aquelas que podem corrompê-las”. (MACEDO 2011 apud Sêneca, Sobre a Ira, I, XV[2]).

De acordo com a cartilha da FEBRABAN (População com deficiência no Brasil fatos e percepções,2006), somente na Idade Média com a influência da Igreja Católica, que considerava todos como criaturas de Deus, os deficientes deixaram de ser mortos para serem abandonadas. Como para a sociedade essas pessoas passaram a causar incômodo, por volta do século XII, surgiram instituições, longe dos grandes centros, para abrigar principalmente pessoas com deficiência mental, onde foram criadas as primeiras legislações com o intuito de garantir o direito à sobrevivência e assegurar os bens daqueles que possuíam uma deficiência mental. Somente em 1960, a institucionalização começou a ser examinada criticamente e dois novos conceitos passaram a circular no debate social: normalização e desinstitucionalização. Entretanto, normalizar o indivíduo com deficiência passou a não fazer sentido e diante disso, chegou-se à conclusão de que a sociedade também teria sua parcela de contribuição no processo de inserção das pessoas com deficiência.
FEBRABAN(2006) refere que o mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), abriga cerca de 610 milhões de pessoas com deficiência, das quais grande parte vive em países em desenvolvimento. Os dados do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informam que 24,6 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência, o que equivale a 14,5% da população nacional, percentual bastante superior aos levantamentos anteriores, nos quais se observava um contingente inferior a 2%. Isto não ocorre em função do aumento de incidência de deficiências, mas pela melhora dos instrumentos de coleta de informações que seguem as últimas recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Diante as estatísticas mundiais, as organizações internacionais vêm se mobilizando para garantir que os portadores de necessidades especiais tenham acesso à educação.
 Gomes e Barbosa (Inclusão escolar do portador de paralisia cerebral: atitudes de professores do ensino , 2006) argumentam  que “O direito de toda criança à educação, consignado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (UNITED NATIONS, 1948), foi reiterado pela Declaração Mundial sobre Educação para Todos (UNESCO, 1990). Mais recentemente, com a Declaração Mundial de Salamanca (UNESCO, 1994), este direito também foi assegurado para um segmento escolar que, até então, era pouco considerado: trata-se dos alunos portadores de necessidades educacionais especiais (PNEE)”.

Por sua vez, Emuno (Avaliação assistida para crianças com necessidades educacionais especiais: um recurso auxiliar na inclusão escolar ,2005) considera que a proposta de inclusão escolar é dominante na Educação Especial e na Educação em geral nas últimas décadas, direcionando programas e políticas educacionais e de reabilitação em vários países, incluindo-se o Brasil. Exige a transformação da escola, defendendo a inserção de alunos com quaisquer necessidades no ensino regular, cabendo às escolas se adaptarem às características dos alunos, o que leva à ruptura com o modelo tradicional de ensino.
Segundo a Constituição Federal de 1988 e a Lei n. 9394/96, a educação especial para educados portadores de necessidades especiais deverá ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, tendo a capacitação dos professores para um atendimento especializado em suas metas principais. As chamadas necessidades especiais podem ser definidas de acordo com a capacidade ou dificuldade de aprendizagem.
As Leis de Diretrizes Básicas Educacionais sobre a Educação Especial são: Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; Art. 208. O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de: III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de 0 a 6 anos de idade.Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I - comprovem finalidade não lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação.
O fato do município ou escola participar do processo de inclusão, não significa que está ocorrendo o processo de inclusão; a mudança depende das redes sociais desenvolvidas, de um bom projeto pedagógico e todos estarem voltados para realizar a mudança (diretor, professor, escola e comunidade).E ainda não podemos nos esquecer que além do conteúdo, da interação, esses alunos, principalmente deficientes visuais e surdos devem ser preparados para o mercado do trabalho, pois devem sair da escola competindo com os considerados “normais”. Para isto, os professores devem estar muito bem preparados, porque o quanto mais esses alunos puderem ser independentes, mais provavelmente desempenharão o seu papel de cidadão na sociedade.
Outra citação foi retirada do ambiente virtual de aprendizagem – AVA da Universidade Nove de Julho – Uninove,na qual há a afirmação de que educar para a diversidade é ensinar os indivíduos a conviverem com as diferenças entre as pessoas e esse é um dos desafios da educação inclusiva, de que a inclusão precisa ser pensada sob diversos aspectos, visando à preparação não só dos portadores de necessidades especiais, mas também das pessoas excluídas socialmente e daquelas que irão acolhê-las, fornecendo-lhes condições sociais e estruturais para que ela ocorra,e de que assim, tem-se a visão de que todos precisam aprender a conviver com as diferenças, respeitando cada um do que jeito que é, a despeito da desvantagem física ou social que apresente.
Mencionamos que quando a escola recepciona um aluno com necessidades especiais, toda a equipe escolar deve receber treinamento do diagnóstico dessa criança, quais os comportamentos comuns dessa necessidade especial, pois a partir desse treinamento é que a equipe escola deve planejar:
·         Adaptação física.
·         Professor que se enquadra para esse tipo de diagnóstico.
·         Necessidade de um professor auxiliar.
·         Material didático aperfeiçoado.
·         Adaptações de brincadeiras.
·         Suporte intersetorial e multidisciplinar se necessário.
·         Verificar apoio familiar.
·         Avaliação do grupo
O Gestor da escola é muito importante nesse processo, pois deve avaliar os valores que a equipe tem, não ter somente uma relação hierarquizada, onde acredita que apenas o professor deva realizar essa tarefa, deve participar do processo e colaborar para que o objetivo seja concluído. Muitos gestores apresentam um sentimento que não se tem tempo para nada devido à burocracia que as escolas têm e por isso muitos dizem que falta tempo para planejar,. Outra forma de comportamento é a perda de sustentação do saber humanista realizando projetos pedagógicos ou mesmo não realizando sem avaliar o modo de vida e o processo cultural da criança com necessidades especiais. Esses tipos de comportamentos dos gestores apenas promovem sentimento de frustração, incompetência e muitas vezes causando exclusão para esses alunos que são deixados no fundo das salas de aula.
            A escolha de um profissional humanizado é muito importante (sabemos que não aprendemos isso na faculdade), e que apesar do conceito de psicologia que não devemos carregar a culpa, infelizmente não é assim, assumimos uma posição que no dia-a-dia temos que nos envolver. Cabe ao diretor e coordenador pedagógico, avaliar se o professor está conseguindo realizar o que foi proposto, e dar apoio quando necessário e não simplesmente deixar o professor resolver tudo sozinho, pois é uma situação nova e cada aluno requer uma forma de ensinar.
Colocamos mais uma vez a importância das escolas que recebem deficientes, apresentarem projetos pedagógicos como uma possibilidade de ampliação para a capacitação desses alunos considerados diferentes do grupo devido às suas necessidades especiais. Todavia, os órgão governamentais deverão investir muito não só em aparelhos que possibilitem mais independência aos alunos, mas também investir em professores, oferecendo-lhes cursos gratuitos, sejam presenciais ou on-line.

 Cuero (2011) comenta que os professores colocam seu temor, diante do sistema educacional e social inclusivo, de serem cobrados e avaliados como incompetentes ao não conseguir atingir o objetivo de ensinar os alunos com deficiência.
            Somente o conhecimento e adaptações físicas e pedagógicas não terão sucesso quando a equipe não estiver motivada.  A motivação é a base para resolver problemas, e é um desafio, pois é difícil realizar uma tarefa nova com sentimentos que estamos fazemos sem qualidade. Quando o profissional tem condições de trabalho e apoio, faz  que tenha o sucesso esperado, que é ensinar e incluir um aluno com necessidades especiais, seja realizado.

IV – DO LOCAL DA PESQUISA INCLUSIVA

Cerquilho possui uma área de 126 km2 e está localizado na região Centro-Leste do Estado de São Paulo, zona fisiográfica de Piracicaba. O município não possui favelas, têm 100% de abastecimento de água tratada, energia elétrica, rede de esgoto em toda cidade e vias públicas asfaltadas. Sendo 80% da economia industrial, 10% comercial, 5% pecuária e agricultura e 5% prestação de serviços. No último censo (2010) contabilizou a população em 39.617 habitantes. A Secretaria Municipal de Educação de Cerquilho conta com os seguintes projetos na área de inclusão: A contratação de Intérprete de LIBRAS no âmbito escolar e Incluindo alunos com Síndrome de Down- Cartilha e diversos projetos em conjunto com outras secretarias.
Cerquilho tem na rede pública sete Escolas Municipais de Ensino Infantil Integral, seis Escolas Municipais de ensino Infantil, uma Escola de Jovens e Adultos, dez Escolas Municipais de Ensino Fundamental e uma Escola Municipal de Educação Básica Especial, duas Escolas Estaduais de Ensino Médio e uma Escola Técnica. Na rede particular apresenta cinco Escolas (Infantil, Fundamental e Ensino Médio), um SESI e uma Escola Técnica.

V- DA PESQUISA DE CAMPO

1.1 Local
            Para a realização da pesquisa, primeiramente foi feita a entrevista na Escola Municipal de Educação Básica Especial (EMEBE), onde estão 126 alunos matriculados. Nesta instituição, para se  conseguir uma vaga, o aluno deve apresentar alguma deficiência mental, pois aquele que tem  somente deficiência física, não participa das atividades escolares. O aluno que tem condições emocionais participa de um período na escola regular e participa das atividades da EMEBE.
Na entrevista, destacaram que os alunos  conseguem ir bem até o quinto ano do ensino fundamental, mas, quando passam para o sexto ano escolar,  passam a ter vários professores e, devido a esse fato, eles não querem participar mais do ensino regular, ficando somente na EMEBE.
Para a pesquisa, foi solicitada à coordenação da EMEBE quais escolas de ensino de educação infantil tinham alunos de inclusão e, nos foram indicadas três Escolas do Município para a realização da pesquisa .Notamos que há mais alunos no Ensino Fundamental que no Ensino Infantil, todavia tivemos como objetivo de análise a inclusão na escola infantil .
Foram selecionadas as três escolas do município em que havia alunos com necessidades especiais e cada uma havia apenas um aluno com necessidade especial.
 Entramos em contato com os diretores, os quais nos  encaminharam aos coordenadores pedagógicos e ou professores para a realização das nossas entrevistas.
1.2 Sujeitos
Os  dois professores e os coordenadores entrevistados pedagógicos têm idade entre vinte e nove e quarenta e seis anos, somente um não é pós -graduado (porém tem um curso da APAE), tem entre sete a vinte e cinco anos de tempo de serviço, porém para todos a inclusão é muito recente, pois esses são os primeiros alunos que estão trabalhando.
            As três crianças que serviram como sujeitos de nossa pesquisa têm entre três e quatro anos, estão matriculadas no ensino de Educação Infantil (dois meninos, de quatro anos no Pré I e uma menina de três anos  na creche) e apresentam os seguintes diagnósticos; paralisia cerebral, síndrome de Down e deficiência auditiva (somente este aluno do Pré não participa da EMEBE).
           

1.3 Instrumento de Coleta de Dados
Inicialmente entramos em contato com alguns profissionais para que pudéssemos aplicar o questionário (veja Anexo A)
Utilizou-se como instrumento um roteiro com oito questões relativas à inclusão escolar e como a pesquisadora é da área da saúde, foi incluída uma questão sobre o diagnóstico da criança.
Questão 1. Você considera que a escola está preparada para ter alunos com necessidades especiais?
Questão 2. Foi utilizado alguma estratégia ou plano pedagógico para o recebimento desse aluno? Se sim qual?
Questão 3. Você conhece o problema que esse aluno apresenta e as características das reações comportamentais que ele pode ter? Você recebeu treinamento sobre isso?
Questão 4. Como é realizado o processo de aquisição do conhecimento no aluno considerado "especial"? Este processo é diferente do realizado nos demais alunos? Qual a diferença?
Questão 5.  Você se considera um professor preparado para lidar com esse tipo de aluno? A escola oferece auxiliares para ajudar nesse processo?
Questão 6. Você já presenciou algum tipo de preconceito ou de exclusão na sala de aula?
Questão 7.  Cite algumas dificuldades e facilidades que você já enfrentou ou enfrenta durante o processo de interação como o aluno portador de necessidades educacionais especiais na sala de aula.
Questão 8. Como é a comunicação com a família e com a comunidade dessa criança, já que a escola não deve ser totalmente responsável pelo desempenho escolar dessa criança.

1.4- Resultados
Nesse tópico nos propomos a analisar as respostas coletadas aplicadas aos professores e coordenadores pedagógicos. As análises e discussões que se seguem são feitas a partir das informações obtidas via questionário.
Quanto à escola estar preparada para o recebimento do aluno com necessidades especiais, todos os entrevistados responderam  que as escolas não estão preparadas fisicamente (no caso de PC- Paralisia Cerebral, precisa de banheiro adaptado), também não possuem material apropriado para o recebimento desse aluno.
Constatamos nessa pesquisa as poucas instruções obtidas pelos professores antes de receberem o aluno, pois não foram discutidas no plano pedagógico as práticas atitudinais e não foi realizada nenhuma estratégia para o recebimento desse aluno . Os entrevistados alegaram  que apenas receberam um treinamento sobre educação inclusiva do orientador da Secretaria Municipal da Educação.
Em relação se o professor recebeu treinamento sobre o diagnóstico e seus principais comportamentos ou não, apenas uma escola recebeu orientação da SME(Secretaria Municipal de Educação) sobre a doença, mas nenhuma recebeu treinamento específico.
Sobre  a pergunta se há diferença no processo de aprendizagem em relação aos demais alunos, todos os entrevistados disseram que há diferenças, que há necessidade de dispensar mais tempo com o deficiente, devido suas limitações e consideram esse procedimento  não  correto, pois os demais, às vezes, ficam sem acompanhamento e muitos também apresentam atrasos na aprendizagem .
Quanto à pergunta sobre o professor estar preparado para trabalhar com esses alunos, todos responderam  que não o estão e que infelizmente, o aluno é deixado na escola e cabe ao professor correr atrás de se adaptar. Em uma das escolas, o coordenador disse que quando o professor não está preparado para casos especiais, o aluno fica meio que “largado” na sala de aula.
Quanto à indagação da escola ter auxiliar exclusivo para o deficiente, devido não ter a adaptação necessária, constatou-se que somente uma escola conseguiu um funcionário para ajudar na troca de fraldas, mas não auxiliava no processo da aprendizagem, cabendo somente ao professor realizar a sua tarefa.
Em relação ao preconceito em sala de aula, os entrevistados foram unânimes ao dizerem que, nessa idade entre os colegas, não há exclusão. Somente foi registrada esta situação por parte dos pais, onde houve o questionamento se o filho poderia imitar o comportamento do colega, já que é uma fase de imitações.Houve uma explicação ao pai da importância da convivência da criançacom necessidades especiais  com os demais alunos. O pai não questiou mais.
Em resposta às facilidades e dificuldades da inclusão na Educação infantil, a maioria disse que não há facilidades, pois esse processo educacional é muito novo e todos estão aprendendo. Foi destacado por um coordenador e em concordância com  a relação com os amigos que se interagem muito bem.
Quanto à participação da família e da comunidade, a família é muito presente e a comunidade somente participa quando ocorrem fóruns ou palestras, sem muito desempenho no auxílio da educação.
1.5-Considerações finais
            O estudo nos mostra que apesar das leis, as escolas ainda não estão adequadas para a realização da inclusão escolar, tanto na parte física, quanto na parte do material didático, fato constatado nas entrevistas, nas quais os entrevistados por unanimidade disseram que não estão preparados para a realização da função, apesar do esforço e das atitudes positivas.
Constatamos também, que a inclusão ficou somente para o professor, que o coordenador pedagógico e diretor têm pouca participação do processo inclusivo, apesar da ciência de todos de que no sucesso da inclusão, todos deveriam participar (escola, diretores, coordenadores pedagógicos, professores e comunidades), pois é praticamente impossível para o professor fazer tal processo sozinho, tendo que cuidar de uma  classe com  mais de 25 alunos.Apontamos ainda  que no processo de aprendizagem, há alunos que tem dificuldades na aprendizagem e necessitam também de mais atenção do professor.
 Entendemos  haver no professor um temor muito grande ao tratar das práticas pedagógicas a portadores de necessidades especiais, devido ainda ser recente esse processo inclusivo, o qual  se torna impossível quando não há muito pouco apoio ou nada. No caso pesquisa, observamos que o apoio maior vem da Secretaria Municipal, dado pelo orientador de necessidades especiais.
Reafirmamos que a falta de planejamento foi constatada quase em todas as escolas infantis e  que cada escola tem apenas um aluno especial, não existindo material didático adequado, cabendo ao professor adaptar todas as brincadeiras. Houve também  um dado, no qual um aluno especial teve troca de professor por três vezes durante esse ano e o último professor estava pouco preparado para desempenhar a função de professor de aluno especial. Esse tipo de acontecimento interfere na adaptação dessa criança, pois o deficiente necessita de um ambiente tranqüilo, sem muitas mudanças. Portanto, o planejamento é uma estratégia que deve ser analisada cuidadosamente e a escola como um todo é responsável pelo aluno, não somente o professor, pois cabe ao coordenador pedagógico verificar se o professor está preparado para desempenhar essa função.
Também avaliamos que para o melhor aproveitamento seria necessário ter o professor auxiliar para cada deficiente, no caso de deficiência auditiva, onde as libras são necessárias, o auxiliar ajudaria a interpretação. Em Cerquilho, no Ensino Fundamental há o projeto de intérprete de libras,mas  na educação infantil não está disponível, cabendo novamente o professor se adaptar.
Quanto ao comportamento dos deficientes são muitos diferenciados e alguns saem da sala de aula, gritam e o professor acaba tendo que deixar a classe para ir atrás desse aluno, nesse caso é de extrema necessidade a presença de um auxiliar, pois o professor deixa o restante da classe sozinha para cuidar do aluno especial.
Avaliamos também que a escola que recebe um aluno de necessidades especiais, deve receber treinamento específico sobre o diagnóstico, pois é pelo diagnóstico que a escola planejará suas atividades durante o ano. Verificamos que nenhuma escola tem material didático apropriado para as crianças com necessidades especiais e que para melhor compreensão da criança, apenas o professor que tem interesse realiza pós-graduação ou curso que acha importante.
Na instituição temos que fazer uma mudança cultural, pois temos que reconhecer os aspectos subjetivos das relações humanas e os valores sócio-culturais para compreendermos o problema e elaborar ações, melhorando as condições de trabalho e a qualidade no ensino.
Talvez uma boa superação dos problemas já aconteceria nas creches, quando da interação primária, professores especialistas atuariam com todos os alunos, independentemente de serem considerados portadores de necessidades especiais, ensinando-os a linguagem Braille, Libras, e a importância da valorização do ser humano, daqueles que necessitam de ajudas especiais.
Havendo uma preocupação dos órgãos governamentais, ocorrerá investimento em capital humano, seja em professores, em crianças, alunos de todas as idades, portadores ou não de necessidades especiais. Atenuariam-se  as diferenças , os preconceitos e a sociedade daria espaço e cidadania a essas pessoas consideradas diferentes e haveria um grande avanço material, intelectual, humano.
Assim para que o objetivo da inclusão escolar que é oferecer oportunidades iguais para que cada pessoa seja autônoma e auto-suficiente seja realizado, devemos utilizar um dos princípios do Sucesso, que é a constância de propósito mais constância de esforço de todos no âmbito escolar e governamental.

ANEXO A
Idade:
Sexo:
Função na escola:
Tempo de serviço:
Nível escolar:

1) Você considera que a escola está preparada para ter alunos com necessidades especiais?
2) Foi utilizado alguma estratégia ou plano pedagógico para o recebimento desse aluno? Se sim qual?
3)  Você conhece o problema que esse aluno apresenta e  as características das reações comportamentais que ele pode ter? Você recebeu  treinamento sobre isso?
4)  Como é  realizado o  processo de aquisição do conhecimento no aluno considerado "especial"? Este processo é diferente do realizado nos demais alunos? Qual a diferença?
5) Você se considera um professor preparado para lidar com esse tipo de aluno? A escola oferece auxiliares para ajudar nesse processo?
6) Você já presenciou algum tipo de preconceito ou de exclusão na sala de aula?
7)  Cite algumas dificuldades e facilidades que você já enfrentou ou enfrenta durante o processo de interação como o aluno portador de necessidades educacionais especiais na sala de aula.
8)  Como é a comunicação com a família e com a comunidade dessa criança, já que a escola não deve ser totalmente responsável pelo desempenho escolar dessa criança.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM – AVA DA UNIVERSIDADE NOVE        DE JULHO  – Uninove. Disciplina da Educação Inclusiva, 2011.
CALDEIRA,C.L. Os Efeitos da Inclusão do desenvolvimento do  Aluno Portador de Disfunção Neuromotora Grave. IN Anais III Seminário Internacional de Sociedade Inclusiva: Ações de sucesso.Belo Horizonte,  2004http://www.sociedadeinclusiva.pucminas.br/sem3/cynthia_lazara.pdf. Acesso em: 20 de outubro de 2011.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 — EDUCAÇÃO ESPECIAL. http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/1284/constituicao-federal-de- Acesso em: 15 de outubro de 2011.
CUERO, R.E. Como promover a inclusão escolar enfrentando as mudanças propostas pelo paradigma da inclusão. 2011http://escolaquerubinasilveira.blogspot.com/2011/04/como-promover-inclusao-escolar.html. Acesso em: 10 de outubro de 2011.
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São Paulo, dezembro de 2011.